
Figura 1 - Rizomas (Fonte: autor, 2023)
O rizoma é uma metáfora que descreve um modo não-hierárquico e não-linear de organização e estruturação das coisas. Ao contrário da árvore, que é um sistema hierarquizado com um tronco central e ramificações definidas, o rizoma é um sistema composto por uma rede complexa de conexões e interações entre elementos diversos (DELEUZE; GUATTARI, 2000).
O rizoma é caracterizado por várias propriedades. Primeiramente, ele pode ser rompido em qualquer ponto, mas também pode se reconstruir e retomar suas linhas de forma diferente. Além disso, um rizoma compreende tanto linhas de segmentaridade, que o estratificam e significam, quanto linhas de desterritorialização, que permitem que ele fuja de estruturações fixas. Assim, um rizoma está constantemente em processo de ruptura, com linhas segmentares explodindo em linhas de fuga. No entanto, o risco sempre existe de encontrar novamente estruturações que reestratifiquem o conjunto, o que pode incluir desde formações fascistas até organizações edipianas.
Outra característica importante de um rizoma é que ele não tem começo nem fim, mas sempre se encontra no meio, entre as coisas. Diferente da árvore, que é baseada em uma lógica de filiação, o rizoma é baseado em uma lógica de aliança. O rizoma não segue o verbo "ser", mas a conjunção "e… e… e…". Essa conjunção tem força suficiente para desestabilizar e desenraizar o verbo ser.
Justamente pela característica do rizoma não possuir um começo ou fim definido, mas expandir-se e ramificar-se de maneiras imprevisíveis é que se torna tão adequado como metáfora para devires de circularidade como o começo-meio-começo.
Ao mesmo tempo, por apresentar a força do conceito das “linhas de fuga” ou “linhas de devir” (tratadas mais adiante como linhas de drible) não como linhas de conexão entre pontos, mas linhas de movimento e crescimento contínuo, que não conectam, mas atravessam pontos, insurgindo no meio deles, é que os espaços vazios nas conjunções do seus "entres" são um obstáculo para essa fluidez do processo vital. Sendo assim, no nosso entendimento, a força do conceito de linhas e a ideia de rizoma exploradas por Deleuze e Guattari que enfatizam a importância do movimento, do crescimento e da liberdade de se conectarem de maneiras não lineares se mostra atualizado no conceito de Tim Ingold de [[Malha]] (INGOLD, 2012).